Crítica| La La Land: Cantando Estações

By Helen Martins - 2/11/2017 10:00:00 AM

Vamos falar sobre La La Land: Cantando Estações? Fui assistir ao filme repleta de expectativas de ver um dos melhores filmes que já assisti na minha vida, e bem, o que eu encontrei foi um pouco diferente.



Os primeiros minutos do filme já é uma afirmativa ousada, se você não gostar nenhum pouco de musical já vai querer correr da sala do cinema. A Primeira cena do filme, gravada em plano-sequência, leva para tela pessoas que abandonam seus carros em um engarrafamento e começam a cantar e a dançar, sabe aquela vontade que você tem no engarrafamento de deixar o carro, o estresse, o calor infernal e tudo para trás? É exatamente isso que é feito, embalado em uma música contagiante, que me deixou balançando um pouco na cadeira. Logo em seguida conhecemos os nossos protagonistas Mia, interpretada por Emma Stone, e Sebastian (Sebs) interpretado por Ryan Gosling.

Mia é atendente de uma cafeteria localizada dentro dos estúdios da Warner, aspirante a atriz que, apesar do imenso talento, não consegue arranjar nenhum papel, ela que abandonou tudo pelo sonho de se tornar uma grande atriz em hollywood, começa a se ver frustrada com tudo que acontece ao seu redor, desde de ter que participar de festas para criar/ter contatos com os entrosados na cena do cinema, a ter que tentar entrar quase que a força, em um emprego que ela pensava que nasceu para fazer.

Já o Sebastian é um pianista mais do que habilidoso, que sonha em perpetuar o jazz – ritmo que ele ama desde de sempre, e tal qual Mia, malsucedido na carreira que escolheu seguir.  Começamos então a ver o filme do ponto de vista desses dois personagens, essa foi uma das melhores decisões que o diretor pode ter tomado. Apesar de não ser igualmente dividido, temos muito mais cenas do ponto de vista da Emma Stone, o filme consegue ser dinâmico, e narrar sem muitas interferências a vida dos dois personagens.

Técnicas utilizadas no filme

O diretor Damien Chazelle usa todos os elementos técnicos do cinema possíveis durante todo o filme. Os usos das referências à Era de Ouro dos musicais - Singin'in the rain (1952), shall we dance (1937), Moulin rouge (2001), são apenas alguns.

Destaque também para a fotografia, muito bela, e para o figurino que te passa a impressão que estamos vendo uma história que se passa nos anos de 1950/1960, enquando os carros e eletroeletrônicos e eletrodomésticos lembram os atuais.

Mas o grande destaque vai sem sombra de dúvidas, para as músicas! Sim, eu sei que estou falando sobre um musical, mas isso não impediria das músicas serem ruins, mas isso não é o que acontece, a trilha sonora do longa é simplesmente MARAVILHOSA. É do tipo que você pode escutar todos os dias da semana e não cansar.




O filme, como já escrevi acima, é repleto de coisas boas, lindas e maravilhosas, mas não podemos ser cegos e falar que La La Land não tem seus problemas e que peca em algumas coisas, como por exemplo em levar para o cinema um roteiro com uma história um tanto quanto batida, na questão de romances, você vai sair com a impressão que já pode ter visto algo semelhante em algum filme, nesse sentido. Não é um roteiro muito inovador, talvez por ter sido lançado em meio a uma hollywood que bem dizer só faz adaptações, La La Land tenha aparecido com um respiro de ar fresco.

A química entre Emma Stone e Ryan Gosling é perceptível desde o começo, mas só veio criar ritmo mesmo despois da metade do filme, a partir desse ponto você torcer por um final de conto de fadas para eles.



Sobre o final do filme, há sempre discussões envolvendo a decisão tomada pelo diretor para com os personagens principais. A escolha de colocar os “E se?”, como cena final partiu o coração de muitas pessoas -  o meu - que foram assistir, afinal vale apenas desisti de um amor (romântico), por um amor profissional (Sonhos)? Até onde os personagens estavam felizes, com aquele final, que para mim pareceu tão agridoce? Mas a vida, como um todo, também não é assim? Mas em um filme que foi repleto de sonhos, cenas mágicas, e o mais doce romance dos musicais, a verossimilhança com a realidade, principalmente, no final deixou a romântica em mim entristecida, prefiro mil vezes ficar com o final do “E se?”, do que com aquele que foi dado a Mia e a Sebastian.

Por fim, La La Land: Cantando Estações é um filme com uma história simples, mas repleto de técnicas espetaculares, e com uma mistura de sentimentos extremamente complexos envolvidos.

Avaliação: ✯✯✯✯

Ahh e sobre as referências presentes no filme, o trabalho de pesquisa foi feito pela espanhola Sara Preciado, e ela postou em sua conta no youtube, o vídeo comparando tais referências. Você pode assistir logo abaixo:




Se você já foi assistir ao filme deixe sua opinião nos comentários, e até o próximo filme!

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